Será que vale a pena discutir o jornalismo?

As vezes me pego frustrada por muitas coisas, quase sempre no campo profissional. Entro neste blog e fico um tempão só olhando pra ele e pensando em mudar a cara, o formato, sei lá, adequá-lo mais ao que tenho visto por aí em blogs jornalísticos. Mas aí eu penso: “pôxa, este é o meu espaço e eu faço dele o que quiser. Eu tenho que dar a ele a minha cara, o meu jeito, trazer a ele os meus assuntos, o meu mundo, e não copiar os outros blogs”. Talvez seja isso que esteja faltando aos diferentes veículos de comunicação que temos hoje: personalizar. Cada um deveria usar e abusar do que tem de único, de seu, e assim parar de se preocupar com essa concorrência ridícula, vazia de propósitos, carente de formatos e organização.

Sinto falta de notícias em meu blog, desse movimento que os fatos trazem. Mas não é a notícia em si, mas o noticiar. Eu tenho sangue e alma de jornalista, cresci sonhando com essa profissão, mas não no formato que a vejo na maioria dos veículos de comunicação. Sendo assim, porque fazer do meu humilde blog isso que eu não admiro? Aí eu penso no quê noticiar. Vou trazer para o meu blog as mesmas chatices que acompanho na grande mídia? Até a notícia é algo comercial, até através dela a gente se sente explorado. Não era pra ser assim. Eu queria noticiar coisas realmente úteis, aquelas que fazem um efeito de dentro pra fora em quem lê, que têm o poder de transformar. Cada palavra minha, mesmo não sendo uma matéria jornalística, carrega essa boa intenção, pena que as oportunidades me privam desse sonho (mas eu não vou desistir).

Aí eu entro em vários blogs ou em sites que discutem o jornalismo. Que desespero! Eu sinto, e cada vez mais forte, que há uma necessidade muito urgente de redesenhar o jornalismo. E esse redesenhar não seria, simplesmente, reinventá-lo, mas reprogramá-lo com muito amor e responsabilidade, porque jornalismo e paixão não podem, jamais, caminhar separadamente. Acho que deveríamos re-estudar o que é o jornalismo, como ele nasceu, quais eram suas ambições e comparar ao que ele é hoje, pra primeiro perceber o teor dessa evolução. Com base nisso, resgataríamos o que existiu de melhor nessa profissão tão fantástica e que se perdeu em nome da objetividade dura, seca, chata, cansativa. Aí, nós juntaríamos com o que o jornalismo ganhou de bom nesses novos tempos, com as suas infinitas possibilidades e utilidades, e casaríamos tudo. Pronto! Teríamos aí uma remontagem de uma profissão que diz respeito a todo mundo, mas que não tem cumprido bem esse papel.

Mas essa mistura não bastaria. O primordial nesse esforço de redesenhar o jornalismo seria buscar, antes de mais nada, aspectos puramente sentimentais, subjetivos, mas que fariam toda a diferença nesse exercício humanístico. Falo de valores humanos, como comprometimento, seriedade, responsabilidade, ética, honestidade, transparência, boa vontade. Sei que isso tudo soa utópico, e até piegas, mas é o que eu sinto. O jornalismo lida com gente e nada mais; é um produto feito por gente e destinado para mais gente, mas que não está levando a importância disso em consideração. Gente é sentimento, é necessidade, é prazer e dor, é inconstância, confusão, eterna busca e eterna descoberta. Gente precisa se reconhecer em tudo que tem à sua disposição pra evoluir, pra se descobrir, e o jornalismo deveria trazer isso com ele.

Será que vale mesmo a pena discutir tanto jornalismo e continuar de braços cruzados? Jornalistas são ótimos críticos – e as vezes até ásperos demais -, mas precisam se dedicar a um esforço mútuo de ação para salvar a própria pele. Aliás, jornalistas deveriam se unir, simplesmente se unir, já que navegam no mesmo barco e sentem na pele a força da mesma correnteza bruta e cruel. Mas não, jornalistas preferem dedicar-se à crítica ácida e desvairada, uns contra os outros, comparando, humilhando, desdenhando, numa deprimente batalha de egos. Vivem disputando um nada: cargos falidos, status inventados, uma carreira à beira da extinção. Por quê não reverter toda essa disposição maléfica, maldosa, mórbida, em força para lutar junto a favor da carreira, do respeito, de mais igualdade, mais idealismo, mais dignidade para exercer a profissão que escolheu?

Eu só vejo críticas ao modelo atual de se fazer jornalismo e à ditadura empresarial que monopolizou esse trabalho que é, em sua essência, um direito de todo cidadão. Eu mesma entro em fóruns, blogs, participo das discussões e fico até zonza com tantos argumentos vagos e nenhuma idéia concreta para que isso mude e se transforme no ideal. Eu mesma me perco nesse monte de teoria que todos nós, jornalistas, temos na ponta da língua, mas que infelizmente nos falta em coragem e em ação. Eu mesma sofro, todo dia, por querer me sentir jornalista de verdade, só isso...

Não sei mais se toda essa discussão vale a pena. No fundo, funciona como as toneladas de teses depositadas na USP e em outras universidades do Brasil à toa. Estudo e mais estudo, tanto conhecimento, florestas inteiras transformadas em calhamaços de papel que não servem para o que de fato deveriam servir: transformar e melhorar o nosso país. Desperdiçamos nossa saliva, as teclas dos nossos computadores com tantos protestos vazios que não nos levarão a lugar nenhum: nós continuamos caminhando em direção ao precipício do jornalismo. Porque a crítica é coisa boa, mas só quando vem acompanhada de solução, de boas idéias.

E qual seria a solução para essa tão amada e linda profissão? O jornalista.

Não sei se é o jornalismo que precisa ser tão discutido, ser redesenhado. Na verdade, ele navega para onde levam os remos, ora. Precisamos cuidar é de quem está remando. Não é o jornalismo que precisa de socorro, mas os jornalistas. Somos nós que devemos rever os nossos valores, as nossas intenções, a nossa missão aqui. É o jornalismo que precisa muito da nossa ajuda, da nossa reação.

Comentários

  1. Aliz minha querida, entenho "tudinho" os seus sentimentos, faço minhas as suas palavras. Cada palavra que você fala, vejo o mais puro sentimento de querer uma sociedade mais justa.

    Não terminei nem o 2 gráu escolar, mas nutre em mim um sentimento romântico de jornalismo, e ver um jornalismo na sua escência.

    Não vejo em sua lamentação, pessimismo ou desencanto pela sua profissão tão dígna. Mas vejo a mais pura esperança de vermos o Brasil passado a limpo, posso até dizer, em todos os aspectos vide moralidade.

    Sempre que nos vemos uma nuvem negra, sempre pensamos em trovoadas e tempestade. Pois a chuva faz as sementes germinar, para florecer os campos e nos trazer alimentos.

    O crepúscolo nos deixa melancólicos pelo dia cansado, por "papos" fritífero ou não, por um dia produtivo ou não! Mas, depois de crepúcolo vem a alvorada com assovio de chaleira, buzinados de carros, algazárras de passáros, novo dia se inicia.

    E com o inicio minha querida, vem novas espectativas os sonhos se revitalizam. Perder a esperança, nunca!

    Não sou filósofo muito menos poeta, sou uma pessoa que te admira, e admira pessoas iguais a você que quer fazer a coisa diferente, portanto não podia deixar estas palavras.

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  2. Mauricio - Barretos9 de janeiro de 2009 21:45

    "Jornalismo é sacerdócio".
    como diz um amigo, guerreira menina...
    "Um homem se humilha
    Se castram seu sonho
    Seu sonho é sua vida
    E vida é trabalho..."
    Eu acredito na letra dessa musica!
    Mas é só trabalho o que importa?
    O que é realmente importante? De que você tem medo? Quais são os seus outros sonhos? Quem é você sem o seu cargo e o seu contracheque? Quanto dinheiro é dinheiro bastante? Qual foi a última vez em que você entrou de férias e deixou o trabalho para trás, sem se preocupar com celular, e-mail, pager, fax e todos os outros brinquedos que mostram que você é importante? Há quanto tempo você não presenteia quem você ama com algo que tenha custado mais tempo do que dinheiro? O que faria num sábado se não estivesse no escritório - ou trabalhando em casa? Como você vai retomar o contato com a sua família e encarar o fato de que está deixando em segundo plano seu marido (ou marida com diz minha filhinha) e seus filhos?
    Temos muitas coisas mais importantes que trabalho.
    Desculpe a invasão,mas já invadindo...

    Abrs.

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  3. Minha querida minina não se turbe o vosso coração, a vida é assim, nem sempre somos aquilo que sonhamos, pare e reflita comigo um pouco e depois você entenderá que sua vida valeu a pena!

    Sabe aliz, se pensarmos em como nascemos, não ficaríamos muito tempo indagando se é ou não é, as coisas são o que são mas cabe a nós aperfeiçoa-las!

    Você certamente se recorda o sofrimento que foi você crescer,aprender a tabuada,e o nome de todas as coisas, e deve se recordar com carinho das pessoas que participaram da sua evolução não foi eu anjo?

    As regras.

    Pensar em como não ser atropelado,

    como pentear o cabelo,
    aprender a língua do pê!

    Todo esse esforço não pode ter sido inútil querida, a vida é muito mais!

    Depois da faculdade então você se depara com aquele vazio que está fora do Campus não é?

    Olha eu tenho um segrêdo pra te contar, você faz parte dos 99% dos formandos que conheço, portanto meu anjo, liga não você nunca esteve sozinha!

    E ai vem a decepção maior, tentar uma vaga no seu ramo, na profissão escolhida!

    Tentar conseguir um emprego, que porre!

    Provavelmente algo que você talvez nem goste como ser porteiro de boate, astronauta, cavoqueiro de minas de carvão, empacotador de supermercados e ainda outras coisas que não combinam nem um pouquinho com os seus sonhos!

    E se você tiver a sorte de não ter nascido na Bósnia, na Etiópia, ou pior ainda Aliz seria você nascer nos EUA e não ter dinheiro, ser uma duranga como eu quando pisei naquela terra de ninguém, pense que você poderia ainda ter nascido na faixa de Gaza e não ser nem Judeu nem muçulmano, muito pelo contrário aí meu amor só por Deus!

    Aliz, notei uma certa amargura no seu texto, porém você tem uma sacada fenomenal para a ua idade, e você pelo que entendi, sabe como as coisas funcionam, e ficar nasua página sozinha e escrever um livro pode não ser a melhor escolha, ou quem sabe!


    E os seus filhos então?
    Você tem filhos? se os tiver imagine que um dia Aliz, não mais que derrepente eles passarão pelas mesmas dificuldades que você, por mais que você tente evitar, mas é a vida deles e deve ser vivida por eles, a vida é de cada um, os desejos são desiguais.

    O sonho e o desejo de retiro para escrever umas palavras na solidão como o0 fez o extranho Hemingway, é só mais um dos nossos sonhos

    Sonhos muito dstantes, e é vontade,e é este desejo,de uma esperança frágil que todo homem possui no seu âmago que nos sutém!
    Eu você e todos que compartilhamos om esta espécie de exílio sofremos não sei, se é menos pior suportar as agruras da vida.

    Imagine que um dia alguém pode tentar vender crak, aí na porta da escola para os seus filhos, e um dia para os filhos dele?
    Se você então pensar que eu,você, todos nós, por todo este tempo da nossa breve existência, continuamos pagando nossos impostos

    Seus cabelos começam a cair, não é, ou começam a ficar brancos, nossos passos se tornam mais lentos, sua vista passa a traí-la nossas mãos já não possuem a mesma segurança de sempre.
    Então meu bem você olha o espelhovê a imagem do seu rosto um par de lentes, provavelmente você tem dois pares de óculos, que por sinal você nunca encontra o outro quando precisa dele!
    Ah! O espelho, esse malvado.
    Aí chega um dia que você não se reconhece mais, e aquela imagem refletida no vidro, é de um extranho, e você tenta por um momento que seja revolver a terra que está por cima para buscar aquela menina de um dia, mas este dia passou!
    Não deixe a sua vida passar Aliz, eu estarei sempre disposto e você vale a pena,e Deus também te ama! Viva a vida e seja feliz querida!
    Beijos
    Manoel Ferreira

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  4. Caro Manoel Ferreira

    Seja bem-vindo ao meu blog. Aliás, tenho, além deste, mais 4 (rsrsrs). Os endereços deles você confere na página inicial do blog, ao lado. Ficarei feliz com sua visita.

    Obrigada por comentar. Admito que é difícil para um jornalista, quando escreve sobre a própria profissão, evitar uma certa amargura. No entanto, não vejo essa amargura de forma negativa, afinal, isso demonstra disposição para refletir sobre o assunto, vontade de lutar, de melhorar a carreira que se escolheu. Mesmo assim, não gostaria que o meu texto remetesse a muita amargura, à falta de esperanças, enfim, ao desânimo. Muito pelo contrário, eu estou sempre disposta a lutar pelo meu amado jornalismo e a estudá-lo a fundo, a fim de desenvolver técnicas que me façam exercê-lo melhor (além de fugir desse formato que eu abomino). E eu estou na luta. Exerço a profissão desde que me formei, há 3 anos, e agradeço muito pelas oportunidades que me apareceram até hoje, afinal, aprendi e aprendo muito com elas. Mas quero mais. Só que esse mais não é apenas uma ambição egoísta, vislumbrando salários cada vez mais altos e cargos cada vez mais poderosos. Eu gostaria muito de entrar para esse grupo que redesenha a profissão, que a adequa à realidade, que se preocupa com a função humanística que ele representa. Eu quero lutar pela permanência dessa profissão e para otimizar o papel dela na sociedade. Muito ambiciosa, né? Mas sonhar não é pecado...rsrsrs. O importante mesmo é ter vontade de fazer algo, e isso eu tenho, e com muita alegria e prazer. Vou procurar postar textos mais otimistas e contentes.
    Espero contar com sua visita em meus blogs sempre.
    Um beijo!

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  5. Querido Maurício - Barretos

    É um prazer contar com sua visita em meu blog. Tenho mais 4 e seria igualmente gostoso recebê-lo por lá. Os endereços estão no canto, na página inicial deste blog.

    Obrigada por enviar seu comentário, meu blg é bastante solitário...rsrs, portanto, contar com visitas assim é sempre muito bom.

    Você tem razão quando questiona essa fissura pelo trabalho e pela profissão. Eu realmente levo isso a sério demais (até a exaustão), e não são poucas as vezes em que me vejo doente por isso. Sim, a vida é bem mais do que trabalho e eu tenho refletido muito sobre o valor de cada coisa. Desde agosto de 2008, quando perdi minha mãezinha e me vi sozinha nesse mundo, entendi, a duras penas, que temos que desempenhar nossa função com maestria, mas apenas no horário estipulado, depois dele, a gente tira a roupa de trabalho e mergulha no que realmente vale a pena: a casa da gente, que é o nosso reino, nossa família e as particularidades de cada um, os amigos, o animalzinho de estimação, as plantinhas, a diversão, a leitura, o artesanato. Embora eu tenha vivido para minha mãe até hoje, o que me deixa livre de qualquer remorso graças a Deus, e sempre me dedique à família e aos momentos só meus, perco muito tempo encanada com algo que não assegura de verdade a minha sobrevivência espiritual. Então, estou aprendendo a dosar tudo isso de forma saudável e produtiva.

    Bem, tenho me virado até que bem com a minha solidão desde que parei de levar a vida tão a sério e nunca mais fiquei doente da alma (e nem do corpo). Por isso dou razão a você. Esse post representa apenas um setor de minha vida, e não ela inteira.

    Ficarei feliz com sua visita mais vezes. Um beijo!

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  6. Aliz,
    Entendemos perfeitamente suas aflições, inclusive essa de como deve ser o seu blog. Se nos permite sugerir, siga seu instinto e faça o que o coração manda, nem que para isso você tenha que chutar o pau da barraca. A propósito, foi isso que fizemos quando iniciamos o Cloaca News, nosso humlde cafofo cibernético. No nosso caso, chega a ser catártico. Quando tiver um tempinho, apareça para uma visitinha. Talvez você goste, talvez não goste - é que,às vezes, pegamos pesado. Veja o caso do Enio: o cara tem uma verve incrível e está fazendo um blog originalíssimo. Grande abraço!

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  7. Você usou uma palavra que, para mim resume toda a necessidade (angústia) que a acompanha. IDEALISMO. Vá em frente, menina, aproveite que só nesse espaço (o do blog) você pode praticar o verdadeiro jornalismo, ser você mesma, com opinião própria, livre de redator (= censor). Solte o verbo e estimule o debate, a reflexão. A mídia é um produto para ser vendido muito mais do que formar seres integrais e críticos.

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  8. Good dispatch and this enter helped me alot in my college assignement. Thanks you seeking your information.

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